domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como os jóvens vivem e apredem com as novas mídias, artigo do jornal francês Le Monde




De onde quer que se olhe, quando se fala da relação da juventude com a Internet e redes sociais, todo mundo menciona primeiro os riscos, os perigos e as ameaças que pesam sobre eles. Perigos que muitas vezes justificam todos os excessos de segurança... No entanto, os pesquisadores denunciam amplamente esta inversão, a tentação ansiosa de hipercontrole que definitivamente não vai ajudar nem os pais nem os jovens a abordar e compreender as formas das novas sociabilidades que se desenvolvem online.

Depois de observar um problema prático e recente, o retorno do estudo de fundo sobre a relação da juventude com a Internet:

Em 2008, a Fundação MacArthur entregou os resultados de um imponente estudo qualitativo sobre a prática de novas mídias pelos jovens. Este projeto de pesquisa sobre a juventude digital reuniu em três anos mais de 28 pesquisadores interessados sobre as práticas de mais de 800 jovens.



Segundo as conclusões do estudo Vivendo e Aprendendo com as Novas Mídias, o tempo que os adolescentes e adultos jovens passam online, trocando mensagens instantâneas ou MySpace não é uma perda de tempo, mas permite que eles cresçam, amadureçam. 



"Ao passar o tempo online, os jovens a adquirem um ‘savoir faire’ ou habilidades sociais e técnicas necessárias à sua participação na sociedade contemporânea", disse ao New York Times a socióloga Mizuko Ito, que liderou o estudo. "Eles aprendem a conviver com outras pessoas, gerenciar sua identidade pública, criar páginas web". Para Mizuko Ito os perigos da Internet são superestimados: "Há muita confusão sobre o que os jovens estão fazendo online. Na maioria das vezes, eles socializam com seus amigos ou com outros jovens que se conheceram na escola, nas férias ou no esporte".


Tipologia de práticas de jovens:


Entrevistados longamente (segunda e terceira parte) com outros autores do estudo sobre o blog de Henry Jenkins (ex-diretor do programa de estudos comparativos de mídia do MIT), Mimi Ito, explica que a principal contribuição do estudo foi compreender como os diferentes tipos de práticas estão ligados uns aos outros. "O que distingue as práticas midiáticas dos jovens repousa na diferença entre o que chamamos de práticas conduzidas pela amizade e práticas organizadas em torno de interesses. A participação centrada na amizade é o que corresponde para maioria dos jovens quando estão online: passar tempo com amigos, se divertir, paquerar e se comparar através de sites sociais como MySpace ou Facebook. A participação baseada em interesses refere-se às práticas mais ou tecnófilas ou mais criativas, onde os jovens se conectam online com outras pessoas em torno de interesses e paixões compartilhados tais como os jogos ou a produção criativa".



Além dessas participações baseada na amizade ou centrada em interesses, “também identificamos três tipos de participação e de aprendizagem", disse Haether Horst, uma antropóloga da Universidade da Califórnia:



§ Hanging out (passar um bom tempo juntos), usando ferramentas como mensagens instantâneas, o Facebook ou o MySpace para encontrar e conversar com amigos;


§ Messing out (surfar) buscar informações, mexer com meios experimentais ou navegar ao acaso; 


§ Geeking out (nerdice), ou mergulhar profundamente em uma área de interesse ou de conhecimento especializado.



"O que é importante sobre esta tipologia é que ela não é para classificar os jovens como tendo uma identidade única ou um conjunto de atividades bem definidas. Mas claramente identificar maneiras diferentes com que eles podem participar da cultura midiática. (...) A diversidade das práticas reflete as diferentes motivações, níveis de compromisso intensidade no uso dessas novas mídias", disse Mimi Ito. Os jovens usam mensagens instantâneas e celulares para se coordenar com seus amigos, bem como as capacidades técnicas avançadas de baixar filmes ou ainda, achar tutoriais para aprender a “hackear” o seu computador. 



O estudo insiste no fato de que os jovens usam a Internet para se socializar entre eles. Como diz a pesquisadora Danah Boyd, "ele é essencial para que os adultos percebam que estes sites funcionam essencialmente para reforçar as conexões pré-existentes, usando a tecnologia como meio de mediação. A mobilidade dos jovens é severamente restrita, e as tecnologias são um meio para eles sair do âmbito da escola. Os sites de redes sociais tornaram-se os meios para ampliar seu espaço. O fato de que eles podem ser utilizados pelos jovens para se conectar com as pessoas que não conhecem não significa que eles o façam. Centrando-se sobre os riscos, os adultos perderam o contato com os benefícios que esses sites oferecem aos jovens".



De fato, acrescentou Christo Sims, um estudante da Escola de Informação de Berkeley, a maioria das práticas observadas mostra que os jovens usam sites de redes sociais para complementar as suas relações sociais off-line ao invés de fazer novos amigos do outro lado do mundo. "Dito isto, é claro, houve casos em que os jovens desenvolveram relacionamentos online que se estendia para além da escola, seu bairro ou seus grupos de atividade. Os jovens mais marginalizados (como homossexuais, minorias étnicas ou imigrantes) dentro de seus universos locais e sociais estão muitas vezes on-line procurando amizade ou intimidade”. As práticas com foco em áreas de interesse ocorrem mais frequentemente interações com as pessoas além de sua região ou de grupos sociais a que os jovens pertencem. "Quando, nesses casos, as amizades se desenvolvem, assemelham-se as relações entre correspondentes, partilham as idéias sobre como é a vida em suas respectivas cidades, discutindo os desafios e problemas de ser adolescente". As interações parecem mais como uma auto-exploração ou um jogo sobre a identidade.



Tradução da síntese do estudo “Vivendo e Aprendendo coma  Nova Midia”:

Os sites de redes sociais, os jogos online, os sites de compartilhamento de vídeo, os gadgets como os iPods e os telefones celulares são agora os acessórios da cultura dos jovens. Eles estão tão impregnados a vida dos jovens que é difícil acreditar que eles existem apenas uma década. Hoje, como também foi o caso de ontem por seus antecessores, os jovens atingem a idade da luta pela autonomia e identidade, mas eles fazem isso por meio de novos modos de comunicação, novas formas de amizade, de jogar e de auto-expressão.

(...) O estudo foi motivado por duas questões principais da pesquisa: como as novas mídias se integram nas práticas e nas agendas da juventude? E como estas práticas os afetam na dinâmica das falas, das alfabetizações e da aprendizagem e do conhecimento dos jovens?




A extensão de amizade e interesse:


Os espaços online permitem que os jovens de se conectar com seus pares de novas maneiras. A maioria dos jovens usa as redes on-line para estender suas relações de amizade entre seus contextos familiares, da escola, das organizações religiosas, esportivas e outras atividades locais. Eles podem estar sempre, em constante contato o com seus amigos via SMS, mensagens instantâneas, telefone celular ou ligação à Internet. Isto requer uma presença continuada e manutenção das conversas através de comunicações privadas, como mensagens instantâneas ou telefones celulares e através de comunicações públicas, como sites de redes sociais como o MySpace ou Facebook. Com estas práticas conduzidas pela amizade, os jovens estão em contato constante com pessoas que já sabem em sua vida real. A maioria dos jovens usa a nova mídia para passar o tempo com seus amigos e estender suas ligações de amizade desta forma.




Um número menor de jovens também usa suas conexões para encontrar a informação ou para explorar os seus centros de interesses que vão além do que eles têm acesso à escola ou o que eles encontram em sua comunidade local. Grupos on-line permitem aos jovens de se conectar com colegas que partilham interesses comuns, trata-se de jogos online, escrita criativa, edição de vídeo ou outras atividades artísticas. Nessas redes motivadas por interesse, os jovens encontram novos colegas fora de suas comunidades locais. Eles também podem encontrar oportunidades para compartilhar e divulgar seu trabalho online para aprender novas formas de visibilidade e reputação.



Auto-aprendizagem e aprendizagem entre pares:



Quer seja nas atividades motivadas pela amizade ou de interesses, os jovens criam e navegam entre as novas formas de expressão e novas regras de comportamento social. Durante o processo, eles adquirem diversas formas técnicas e habilidades em explorar novos interesses, mexer e brincar com novas formas de mídia. Geralmente eles (jovens) começam com uma consulta no Google ou se esconder em salas de chat para saber mais sobre o assunto que lhes interessa. Por tentativa e erro, eles adicionam novas competências ao seu repertório, como de saber criar um vídeo ou personalizar um jogo ou sua página do MySpace. Os adolescentes compartilham seguidamente suas criações e recebem os comentários de outras pessoas. Pelo seu imediatismo e magnitude do mundo digital reduziu as barreiras para a aprendizagem autônoma.



Ao contrário da imagem clássica, "mexer" é um fato altamente social e engajado, embora geralmente pouco compartilhada pelas amizades locais. Os jovens utilizam a os conhecimentos especializados de ambos adultos e adolescentes em todo o mundo, com o objetivo de melhorar suas habilidades e ganhar a reputação de especialistas frente seus pares. O que torna esses grupos únicos é que se os adultos estão envolvidos, sua idade não significa automaticamente “expertise”. O mexer ou experimentar, em muitos aspectos, apaga os marcadores tradicionais de status e autoridade.



As novas mídias permitem uma liberdade e uma autonomia que os jovens não encontram nas salas de aula. Jovens respeitam uns aos outros quando interagem on-line, e são mais dispostos a aprender com seus pares e adultos. Seus esforços são aplicados principalmente para si mesmos, e os resultados aparecem principalmente através da exploração, em contraste com a aprendizagem em sala de aula que é orientada com metas e objetivos e bem definidos.



Implicações para educadores, pais e formuladores de políticas:

As novas mídias mudaram a forma como os jovens socializam e aprendem. Isto levanta uma série de perguntas que os educadores, pais e formuladores de políticas devem considerar.

As mídias sociais e de entretenimento são utilizados como locais de aprendizagem. Contrariamente à percepção dos adultos, enquanto se diverte na internet, os jovens aprendem habilidades sociais básicas e tecnologia de que necessitam para participar plenamente na sociedade contemporânea. Erguer barreiras à participação é privar os jovens do acesso a estas formas de aprendizagem. A participação na era digital significa mais do que ser capaz de acessar informação e cultura "séria". Os jovens se beneficiariam mais de educadores mais abertos às formas de experimentação e exploração social que geralmente não são característicos de instituições de ensino. 



Reconhecer as distinções importantes na cultura e alfabetização da juventude:


As participações on-line baseado na amizade e centradas em interesses têm muitas conotações sociais. Por exemplo, enquanto as atividades realizadas pela amizade estão centradas em uma cultura de grupo, a participação do adulto é mais bem acolhida em formas de aprendizagem entretenimento. Além disso, o conteúdo, os modos de retransmitir e as habilidades que valorizam os jovens variam de acordo com os tipos de grupos sociais que lhes estão associados. A diversidade dessas formas de alfabetização digital significa que é difícil desenvolver um conjunto de pontos de referência para medir os níveis de habilidades e técnicas da alfabetização nas novas mídias.

Capitalizar sobre a aprendizagem entre pares:


Utilizando as novas mídias, os jovens muitas vezes aprendem com seus pares, em vez de professores ou adultos. As noções de autoridade e expertise estão abertas. Esse aprendizado, fundamentalmente diferente do ensino tradicional, muitas vezes é visto negativamente pelos adultos como uma "pressão social". Contudo, os adultos ainda podem ter grande influência no estabelecimento de metas de aprendizagem, especialmente para a exploração de centros de interesses, onde os adultos mantiveram um modelo e até mais experiências. 



Um novo papel para a educação?


As formas de participação dos jovens neste mundo conectado sugerem novas maneiras de pensar sobre o papel da educação. O que realmente significa explorar os potenciais das possibilidades de aprendizagem oferecido pelos recursos on-line e redes? Ao invés de supor que a educação é usada principalmente para preparar os jovens para as suas futuras carreiras, pode-se pensar nisso como um processo para orientar a participação dos jovens na vida pública de maneira geral? (...) 



Os jovens são realmente os "nativos digitais"?


Podemos falar de "nativos digitais" para descrever esses jovens nascidos com as tecnologias digitais? Interroga novamente Henry Jenkins. O termo usado para enfatizar a forte relação que os jovens têm com a tecnologia, diz Rebecca Herr Stephenson do Instituto de Ciências Humanas da Universidade da Califórnia, "mas a maioria dos alunos que observei e entrevistei não têm necessariamente um computador, equipamentos de acesso à Internet ou vídeos disponíveis em todos os momentos". No entanto, eles frequentemente usam sua criatividade e a tecnologia para encontrar informações, expressar ou se comunicar com amigos, como aqueles que convertem uma câmera digital em leitor mp3. A vantagem do termo "nativos digitais", diz Danah Boyd, apesar de ambígua, é que promove o envolvimento dos adolescentes com as mídias digitais e mostra que eles não são mudos ou incapazes. No entanto, por "reforçar as distinções entre as gerações, reforçamos a segregação endêmica com base na idade que atormenta nossa sociedade. Muitos dos problemas sociais e cívicos existentes resultam da forma como separaram as pessoas (em particular) em função da idade". 




Os pais muitas vezes querem estruturar o tempo passado on-line de seus filhos. Mas, como mostram alguns resultados do estudo, as experiências mais produtivas, muitas vezes surgem quando os jovens usam computadores de maneira não estruturada, quando eles passam um bom tempo ou navegam aleatoriamente. "É importante notar que o engajamento produtivo não é só para a aprendizagem tradicional ou de alfabetização técnica", disse Danah Boyd. "Como sociedade, nós nunca passamos muito tempo examinando a maneira como os jovens aprendem a ser socialmente competentes, como eles aprendem a dar sentido as normas culturais e desenvolver contratos sociais, ou como eles aprendem para ler as reações dos outros e agir em conformidade. Esperamos que os jovens sejam educados e tolerantes, que respeitem os sentimentos dos outros e se comportem adequadamente em diferentes situações. É tudo o que os ensinamos. E não se aprende apenas dizendo-lhes como se comportar. Eles precisam de experiência social, interagir com os pares, a cometer erros e ajustar o seu comportamento. (.. .) Mesmo práticas humilhantes ou degradantes de alguns sites online são extremamente produtivas”.



No entanto, os autores do estudo não possuem um fascinante olhar para a contribuição da tecnologia para esta geração. Nem por isto, eles assassinam esses nativos digitais, ao contrário do que qualifica Mark Bauerlein, autor de The Dumbest Generation (A Geração mais Idiota ). "Para muitos jovens, incluindo alguns daqueles que entrevistamos e observamos no Projeto Juventude Digital, a Internet é uma grande onda de jogos envolto em banners, sites cheio de informações imprecisas e empresas olhando para ganhar dinheiro as custas dos jovens", disse Rebecca Herr. "No entanto, ao contrário de Bauerlein, eu não acho que a culpa seja das crianças. Eu acho que é culpa nossa, porque os adultos (pais, educadores, políticos, mídia...) não se esforçam para compreender a Internet em termos de juventude, e aprender a avaliar o que eles encontram online”. A crítica de Bauerlein não é nova e pode ser ouvida com frequência nas palavras dos pais e professores quando eles falam sobre como escrever mensagens de texto ou quando eles lamentam as atividades que os jovens abandonam a favor de jogos de vídeo ou navegar na web. "É tentador culpar os meios de comunicação e novas tecnologias para explicar os problemas culturais e sociais enfrentados", disse Mimi Ito. “Mas a pesquisa mostrou que as coisas são muito mais complexas do que isso, e usar a mídia como um bode expiatório obscurece algumas consequências importantes por trás dele. A nova tecnologia cresce para fora de nossos padrões e práticas. O fato de que muitos jovens não fazem parte do tipo de cultura que Bauerlein descreve não é um problema causado não apenas pela tecnologia, mas é muito mais enraizado nas diferenças sociais existentes e culturais. Se os jovens fazem coisas on-line que parecem improdutivas ou problemáticas, não achamos que a resposta seja proibir a sua mídia. Pelo contrário. Acreditamos que é importante olhar e tentar transformar os problemas sociais subjacentes que é a comercialização de espaço on-line, a falta de vínculos entre crianças e professores, ou o fato de que o conhecimento teórico não parece relevante para muitas crianças”. 




A participação dos jovens não é uniforme: É possível que ela disfarce as divisões sociais, culturais e econômicos da sociedade? Qual o papel das diferenças de classes sociais no uso destas plataformas pelos jovens?


À medida que mais e mais jovens de todas as classes sociais nos Estados Unidos têm a sorte de ter acesso a essas novas mídias, é claro que a natureza e a qualidade de acesso ainda é muito variável, explica Lisa Tripp , professora de comunicação na Faculdade de Informação da Florida State University. Muitos jovens das classes pobres e trabalhadoras só contam com as escolas para acessar a Internet e as ferramentas de produção digital. Permanecer somente na escola o uso destes meios de comunicação não é o mesmo: muitas vezes é conduzido pelo professor e, muitas vezes excluídos do acesso a sites de redes sociais, mensagens instantâneas e ferramentas utilizadas pelas gerações mais jovens. "Para eles, pode ser um desafio encontrar o tempo, lugar e os recursos para a experiência mais aberta à mídia e se engajar em práticas que a juventude considera mais significativa..." . Além disso, entre os mais pobres, as práticas sociais relacionadas com o computador são menos aceitas pelas famílias, que desejam o uso do computador por seus filhos de forma tão eficiente quanto possível.



Por que as atividades dos mais novos transcorrem online?


O estudo insiste longamente sobre o fato de que os jovens usam as novas mídias para fazer coisas que antes eram off-line. "Por que as atividades dos mais jovens transcorrem online?" Henry Jenkins pergunta novamente. "As práticas são as mesmas, mas são reformulados em novas formas", diz Christo Sims. "Quando se trata de paquera, a principal vantagem de fazer on-line é que todo o processo pode ser um tanto mais controlado e, aparentemente, mais casual. As trocas assíncronas oferecem mais tempo para compor. Além disso, há menos coisas para gerenciar comparado ao telefone ou a interação face a face: o tom da postura, voz e muitos outros signos não-verbais não têm de ser geridos. Além disso, cada e-mail é, pelo menos num primeiro momento, muito breve e de pouca conseqüência: uma pequena mensagem "não é uma grande coisa". Um padrão de comportamento que o pesquisador chama de “casualmente composto." "Outra vantagem de flertar on-line é que ele não tem que lidar com um grupo de pares". 


Na escola a interação entre meninos e meninas é muitas vezes em grupos e rapidamente conhecidas. Se a Internet sabe ampliar este sentimento de agir em público, ele também pode oferecer métodos de comunicações privadas. Finalmente, os conflitos e recusas são mais fáceis de gerenciar on-line: simplesmente não responder a uma mensagem, deletar um pretendente. Esta estratégia passiva também permite que a pessoa recuse a salvar a face, porque ele nunca oficialmente recusou: a conversa apenas parou. 

Deve ser entendido que, se as relações com as redes oferecem novas oportunidades para a interação social, elas tomam o lugar das liberdades que tenham sido confiscadas, denuncia Danah Boyd.

Quando perguntado se os adolescentes preferem socializar online ou off-line, eles dizem que sempre preferem relações face a face. "No entanto, para muitos jovens, essas interações são freqüentemente irrealistas." As razões são variadas: alguns adolescentes têm dificuldades de deslocamento para encontrar os seus amigos, outros não têm tempo, porque suas vidas são altamente estruturadas pelas atividades. Autoridade parental e práticas sociais limitam muitos encontros entre eles. “Ainda que estejam muitas vezes juntos, afinal, os jovens têm poucas oportunidades para se encontrar com amigos, e menos ainda com os seus pares. Os sites sociais e outras redes públicas permitem aos jovens se reunir de novas formas, de forma assíncrona e em diferentes espaços físicos”. 



Tradução: Ana Elisa Prates

sábado, 18 de fevereiro de 2012

NOTA: 1º Seminário Regional de Psicologia e Políticas Públicas




No dia 09 de março de 2012, a Comissão de Políticas Públicas do CRP-01 juntamente com o CREPOP, vai realizar o “1º Seminário Regional de Psicologia e Políticas Públicas”, das 08h às 18h, no Auditório Tom Jobim, da Legião da Boa Vontade – LBV.



O evento gratuito tem como objetivo reunir a categoria para debater e pontuar a atuação do psicólogo nas políticas públicas do DF e como esta tem sido feita. Além dos conselheiros do CRP-01, a mesa contará com a presença de psicólogos da Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação, Secretaria da Mulher, Secretaria do Idoso, Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Secretaria de Desenvolvimento Social e Distribuição de Renda (SEDEST) e do TJDFT.



As inscrições podem ser feitas pelos emails: crepop@crp-01.org.br, comissaopoliticaspublicas@crp-01.org.br ou pelo telefone (61)3328-4660 Ramal: 411.



Programação:




Credenciamento e café da manhã: 08h às 09h

Abertura:09h às 09h15
-          Fala da Presidente do CRP-01 Carla Manzi
-          Fala da Presidente da Comissão de Políticas Públicas Eliane Jardim

Palestra 1:09h30 – Secretaria de Saúde
Tema: Atenção Básica na Saúde

Palestra 2: 10h – Secretaria de Educação
Tema: Carência e dificuldades encontradas nos Serviços de Psicologia Escolar.

Palestra 3: 10h30 – Secretaria do Idoso
Tema: GeroNeuro

Debate: 11h às 12h

12h às 14h: intervalo para almoço

Palestra 4: 14h - Secretaria da Mulher
Tema: Enfrentamento da Violência Contra a Mulher

Palestra 5: 14h30 – TJDFT
Tema: Adoção

Palestra 6: 15h – Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos
Tema: Atuação do Programa Pró-vítima no DF

Palestra 7: 15h30 – Secretaria de Desenvolvimento Social e Distribuição de Renda (SEDEST)
Tema: A Atuação do Psicólogo na Assistência


16h às 16h20 – coffee break

16h20: debate

17h30: encerramento

Não percam esta oportunidade e participem!

SERVIÇO:

Seminário Regional de Psicologia e Políticas Públicas
Data: 09/03/2012
Horário: Às 08h00
Local: Auditório Tom Jobim, da Legião da Boa Vontade - LBV, localizado à SGAS 915 – lotes 75 e 76, Asa Sul, Brasília DF.

Para os/as colegas da Gestalt!



Se estiver interessado(a), entre no site do Instituto de Gestalt Terapia de Brasília para mais informações:


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cidadãos Filósofos, por Carlos Fraenkel



Amigos do Opus, ando recebendo vários textos em inglês e não tenho tido tempo de traduzi-los, mais uma vez peço desculpas.
No entanto, mesmo estando em inglês, este texto merece sua atenção.
Proposta: O professor de filosofia Carlos Fraenkel, da Universidade MacGill em Montreal, Canadá, discute sua experiência e o ensino de filosofia a alunos de escolas secundárias em Salvador, Bahia.
Breve revisão: gostei de como Fraenkel aprecia e participa num ensino da filosofia que se constrói sobre a prática do pensamento crítico mediado pela reflexão filosófica sistemática, proposta pelos professores brasileiros do ensino médio soteropolitano (de Salvador, gostei da palavra inusitada). Ao usar o Direito e determinadas discussões teológicas comuns ás religiões brasileiras e cotidiano urbano, o ensino de filosofia se torna um exercício de libertação dos becos conceituais e semânticos que comprimem o universo discursivo da subalteridade.
Concordam?
Boa leitura!  


Obrigado T.M.O. 
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Getting out of the cave and seeing things as they really are: that’s what philosophy is about, according to Almira Ribeiro. Ribeiro teaches the subject in a high school in Itapuã, a beautiful, poor, violent neighborhood on the periphery of Salvador, capital of the state of Bahia in Brazil’s northeast. She is the most philosophically passionate person I’ve ever met.
Most of the four million slaves shipped from Africa to Brazil were sold in Salvador, the first residence of Portugal’s colonial rulers. It’s still Brazil’s blackest city. In Ribeiro’s neighborhood, children play football or do capoeira, pray in Pentecostal Churches or worship African gods. Many are involved with drugs; “every year we lose students to crack,” she tells me. And they study philosophy two hours each week because of a 2008 law that mandates philosophy instruction in all Brazilian high schools. Nine million teenagers now take philosophy classes for three years.
“But seeing things as they really are isn’t enough,” Ribeiro insists. As in Plato’s parable in The Republic, the students must go back to the cave and apply what they’ve learned. Their lives give them rich opportunities for such application. The contrast between the new luxury hotels along the beach and Itapuã’s overcrowded streets gives rise to questions about equality and justice. Children kicking around a can introduce a discussion about democracy: football is one of the few truly democratic practices here; success depends on merit, not class privilege. Moving between philosophy and practice, the students can revise their views in light of what Plato, Hobbes, or Locke had to say about equality, justice, and democracy and discuss their own roles as political agents.
To foster that discussion, Ribeiro must take on a deeply rooted political defeatism. Voting in Brazil is obligatory, but many think it’s useless. In 2010, the largest number of votes for any member of congress went to Tiririca, a popular TV clown, who ran on the slogan, “I don’t know what a congressman does, but vote me in and I’ll tell you.” João Belmiro, another high school philosophy teacher, finds this outrageous. Philosophy, he hopes, will bring change before long.
“There are also other ways of political participation,” Ribeiro tells her students. She gives them the town hall’s phone number for complaints about infrastructure and asks them to find something in their street they want repaired. When one student calls, nothing happens. But when fifteen call, the city reacts. “You see that pothole?” she asks me. “It’s been closed. And that street lantern? It’s been fixed. Thanks to our philosophy class. . . . Politicians can’t afford disgruntled citizens who will vote them out of office.” In the same vein she’s now organizing an association of philosophy teachers. One urgent matter is the lack of qualified personnel. Another project is improving the relationship with the philosophy department at the Federal University of Bahia (UFBA), the region’s academic hub. Most teachers I meet complain that academic philosophers ignore them or look down on them.
That’s not surprising, considering that the 2008 law is above all a political project. In 1971 the military dictatorship that ruled Brazil from 1964 to 1985 eliminated philosophy from high schools. Teachers, professors in departments of education, and political activists championed its return, while most academic philosophers were either indifferent or suspicious. The dictatorship seems to have understood philosophy’s potential to create engaged citizens; it replaced philosophy with a course on Moral and Civic Education and one on Brazil’s Social and Political Organization (“to inculcate good manners and patriotic values and to justify the political order of the generals,” one UFBA colleague recalls from his high school days).
The official rationale for the 2008 law is that philosophy “is necessary for the exercise of citizenship.” The law—the world’s largest-scale attempt to bring philosophy into the public sphere—thus represents an experiment in democracy. Among teachers at least, many share Ribeiro’s hope that philosophy will provide a path to greater civic participation and equality. Can it do even more? Can it teach students to question and challenge the foundations of society itself?
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I was intrigued when I first heard about the law and wanted to see for myself whether philosophy could do something outside of academia. My path to this subject is both intellectual and personal. I am an academic philosopher in Canada, with Brazilian roots: my parents were activists with a Marxist student group opposing the dictatorship and fled before my birth, though we returned to Brazil for four years after the 1979 amnesty for political refugees. With the help of colleagues and undergraduates from the UFBA philosophy department, I gained access to a broad range of schools in Salvador, where I was often welcomed as a guest teacher and had the opportunity to discuss with teachers their curricula, instructional styles, and hopes for the students.
In every classroom I was at first flooded with questions: Who is this professor from Montreal and what’s he doing here? the students wondered. I quickly learned that my excitement about Brazil’s experiment with philosophy is not universally shared. “Learning how to read and write and basic mathematics is useful,” one student said. “But why should I care about Plato’s concept of the soul?”
I conceded to the class that learning philosophy for the sake of erudition may not be the best use of their time.
“But if you want to build a just and democratic society, isn’t it useful to get as clear as possible on what you mean by justice and democracy and to examine if you have good reasons to pursue these?” I asked. “And aren’t your intuitions about knowledge, goodness and beauty worth investigating?”
Well, perhaps. But first the students had more questions for me. Is it true that Canadian bacon is the best in the world? What do people abroad think about Brazil? How did I get into philosophy? And—still more personally—do I believe in God, a question I encountered almost every time. I tried to get out of it by mentioning Spinoza’s impersonal God. That didn’t mean much to the students and, truth be told, I don’t even believe in the God of Spinoza. “We knew it—all philosophers are atheists!” they would say. When I asked who was a Catholic, who was an evangelical, and who practiced the Afro-Brazilian religion Candomblé (Salvador alone has more than 2000 terreiros, Candomblé’s houses of worship), all students raised their hand at least once.
I assured the students that until the nineteenth century hardly any philosopher was an atheist. Plato’s Euthyphro—with its argument about the relationship between ethics and the will of the gods—gets us into a lively discussion.
I asked them, “Do moral norms depend on God’s will? Would it be fine to murder an innocent child if God says so?” The students found the idea outrageous.
“But doesn’t God order Abraham to sacrifice Isaac?” I asked. There was a moment of confusion.
“But Abraham also holds God responsible when he wants to destroy Sodom and Gomorra,” one student replied. That can be interpreted as an independent norm of justice, I admitted.
I pressed on. “But if God must submit to objective moral norms, do we still need the Bible for moral guidance?”
Another student doubted that reason can replace the Bible: “Reason even justifies killing an innocent child if that’s the only way to save a thousand lives.”
We assumed for the moment that reason is indeed unable to ground absolute moral norms. “But how can we act on the authority of the Bible if there are so many different interpretations of it?” I asked. A third student intervened: “Can’t each interpretation be right in its own time and place?” I reminded them of Salvador’s Museum of Modern Art, which they visited on a class excursion. It is located in a beautifully restored casa grande—a colonial plantation owner’s mansion—with adjacent slave dormitories—senzala. “You remember the private chapel? Going to mass and having slaves obviously wasn’t a contradiction back then.” Most students have slaves among their ancestors. So they were reluctant to concede that an interpretation of the Bible allowing slavery is valid. “Is, then, reason the arbiter between competing interpretations?” I asked.
We hadn’t reached a conclusion when the bell rang, but we’d touched on a wide range of important issues in an open-ended Socratic discussion that seemed well suited to the public philosophy envisioned in the 2008 law. By giving students the basic semantic and logical tools they need to clarify their intuitions and to analyze arguments for and against their views, philosophy could help to extend and refine the debate that naturally arises in a pluralistic society from conflicting interests, values, and worldviews. And it could also help citizens make wise use of the power they have in a democracy, as Ribeiro’s town hall exercise shows.
But can philosophy really become part of ordinary life? Wasn’t Socrates executed for trying? Athenians didn’t thank him for guiding them to the examined life, but instead accused him of spreading moral corruption and atheism. Plato concurs: Socrates failed because most citizens just aren’t philosophers in his view. To make them question the beliefs and customs they were brought up in isn’t useful because they can’t replace them with examined ones. So Socrates ended up pushing them into nihilism. To build politics on a foundation of philosophy, Plato concludes, doesn’t mean turning all citizens into philosophers, but putting true philosophers in charge of the city—like parents in charge of children. I wonder, though, why Plato didn’t consider the alternative: If citizens had been trained in dialectic debate from early on—say, starting in high school—might they have reacted differently to Socrates? Perhaps the Brazilian experiment will tell.
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The Socratic approach does not, however, have much support among the two main camps competing to define the high school curriculum in Brazil: academic philosophers on the one hand and political activists and educators on the other.
For academic philosophers, philosophy is not a democratic practice or an emancipatory exercise, but a rigorous scholarly discipline. According to the narrative I hear time and again, philosophy started in Brazil in the 1930s, when French scholars founded the philosophy department at the University of São Paulo. They put an end to the “dilettante period” characterized by the oratory of lawyers and the scholasticism of priests that had dominated Brazilian philosophy until then. Among the French scholars were Martial Guéroult and Victor Goldschmidt, who taught that doing philosophy is no longer possible, only history of philosophy: reconstructing systems of thought through a painstaking analysis of their immanent structure. Since then, studying the history of Western philosophy has been the paradigm of serious philosophy in Brazil.
For political activists and educators, this leads to “intellectual schizophrenia” as Eduardo Oliveira, who teaches in UFBA’s Faculty of Education, puts it. “If we want to think we must put on a German, French, or British head; the Brazilian head won’t do,” he says. Many in this camp are affiliated with the “philosophy of liberation” movement, a series of loosely related intellectual exercises resisting local dictatorships and what is seen as the West’s political, economic, and cultural domination. This movement draws on many sources, from Marx to Levinas. It emerged in South America in the 1960s and ’70s together with the pedagogy and the theology of liberation. But whatever its merits, I wonder if any substantive philosophical agenda is compatible with the diverse views citizens hold in a democracy.
Among the greatest skeptics of the 2008 law is José Arthur Giannotti, one of Brazil’s most respected academic philosophers. He is a close friend of former president Fernando Henrique Cardoso, who vetoed the law when it was first proposed in 2001, after it had already been approved by the legislature. “Teaching philosophy to students who can hardly read and write,” Giannotti said in 2008, “is sad foolishness.”
To be sure, conditions are dire in public schools. Overworked and underpaid teachers deal with students who are often in class for the free lunch, reduced bus fare, or because of former President Luiz Inácio Lula da Silva’s welfare program, the bolsa familia (family fund). More than 12 million poor families get tiny financial incentives to keep their children in school. Brazil still has 15 million illiterate people and an additional 30 million “functionally” illiterate who can decipher a text, but not understand it, much less write something coherent.
When I mentioned Giannotti’s statement to students they were outraged. They thought he described a vicious circle: if you can’t establish a just society democratically without the citizens knowing what justice is, and if you can’t know what justice is without philosophy, it would be impossible to achieve justice in an unjust society like Brazil if studying philosophy presupposes justice.
The philosophy law presented academic philosophers with a fait accompli, so they have been mostly vocal in ensuring that the high school curriculum reflects their idea of rigor. The Curricular Guidelines—published by the Ministry of Education in 2006, as the law was heading for final approval—reflect a broad consensus: high schools should adopt a toned-down version of the academic program with history of philosophy as its “cornerstone.”
When I asked Ribeiro what she thought about these guidelines, she looked amused. “Let’s see what my evening class students”—maids, taxi drivers, construction workers, and others who hope the high school diploma will get them out of what she calls “slave work”—“will say if I ask them to make a structural analysis of Kant’s Critique of Pure Reason.” And even if it were possible, she didn’t see the point. “If the students can’t relate what they learn to their own experience—of what use will it be to them?”
But other teachers feel that they must follow the guidelines if they are to be taken seriously. “That’s what distinguishes a teacher with a philosophy degree from a charlatan who organizes superficial debates on this or that question of the day,” one teacher told me.
One UFBA student pointed out, though, “Nobody really thinks that high school students can get through Kant’s Critique of Pure Reason. This helps to explain the ubiquitous use of didactic manuals.” The idea seems to be that if you can’t read Kant, the next-best choice is to read a Kant digest by a recognized authority. After a précis of the history of Western philosophy, these manuals usually summarize what the author takes to be the principal areas of philosophy. In the most popular manual I saw, each chapter is followed by questions for the students. The teacher’s version includes an appendix with the correct answers. In the worst case this will lead to rote learning—one teacher goes so far as to give students multiple-choice assessments which include the question whether Sartre’s nationality is German, Swedish, French, or Russian. But that approach fits the general teaching culture in Brazil. Another UFBA student explained, “Since the goal is to get students into university, teachers must put everything into their heads on which they will be tested in the vestibular, the entrance exam.”
There are plenty of real-life experiences, though, that could be addressed in a philosophy class. Consider the myth of racial equality in Brazil, the idea that Brazil is a “racial democracy.” Following the Socratic call to self-knowledge, João Belmiro asks his students to sketch their biography and family background. “They always know much more about the white part of their family than about the black part,” he observed. One white colleague told me that his black wife doesn’t like to go with him to the beach. “People think she’s a prostitute going out with a gringo.” Another white colleague can’t bring his black wife to his parents’ house. “They’re poor and uneducated; she has a master’s in history and directs an archive of rare manuscripts from the colonial period.” In a country where races are so thoroughly mixed, what does it mean that skin color remains important?
Or consider the gap between rich and poor in Brazil, one of the world’s widest. Many here don’t perceive it as unjust. In an elite private school in Salvador, philosophy teacher Luis Rusmando told me, “You’ve come to the most expensive and bourgeois school in town.” An Argentinian Marxist who once wanted to be a guerrilla combatant (two relatives, he told me, were killed by Argentina’s military dictatorship) and joined the fight for agricultural land redistribution when he first got to Brazil, he doesn’t quite know how he ended up at this school. Although about 80 percent of Salvador’s population are Afro-descendants, the only black people I saw in Rusmando’s school are cleaners and kitchen personnel. “Most of my students think that inequality is a law of nature,” he explained. That’s why they find nothing wrong with the social hierarchy that Plato proposes in The Republic. “Only when I tell them that wisdom, not money, rules, according to Plato, they’re confused.” Rusmando is also in charge of the students’ voluntary community service program. Every few months he drives out to a farm owned by one student’s family. “It’s amazing how naturally a sixteen-year-old takes charge of the twenty servants who work there,” he told me. The students bring donations to a local daycare and spend a few hours with the poor kids. “For most of them it’s an opportunity to party.” But he also notices the students who haven’t yet lost the ability to be surprised, and to question their narrow world of privilege. “Perhaps that’s why I paradoxically feel close to my students,” he said.
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João Belmiro’s students have discussed justice. In 1888 Brazil was the last country in the Americas to abolish slavery. “But what is freedom worth,” one student asked, “without access to land, jobs, and education?” All students in his class are in favor of affirmative action programs in universities. The deterioration of the public school system in recent decades, which Lula’s center-left government did little to reverse, has made it all but impossible for poor children to get into one of the coveted public university programs—mainly engineering, law, and medicine—that open the door to wealth and prestige.
“But are quotas enough?” I asked the students. “Isn’t there a risk of graduating black engineers, lawyers, and doctors who think and behave exactly like their white colleagues?” If philosophy is indeed the way to change such attitudes, as the students proposed, what should it aim at? It turns out to be quite difficult to say how much equality social justice requires.
“Consider two acarajé stands,” I said, referring to Salvador’s most popular street food. One is run by a talented cook, the other by a cook without talent. Both work hard, but the first stand has lots of customers, the second only a few. “Would it be just to take part of the talented cook’s income and give it to the untalented one?” Differences due to talent or effort seemed acceptable to the students as long as equal opportunities were granted. I pressed harder: “Isn’t talent an arbitrary fact of nature? Why, then, should it be rewarded? And is effort really more in our control? If one cook has just lost a child in an accident and now is depressed and can’t work properly—does she deserve to be punished?” The bell rang. One more inconclusive discussion, and another invitation to continue the philosophical conversation.